quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Filosofia, Educação das Crianças e Papel do Preceptor em Montaigne.

Divino José da Silva



Montaigne sintetiza a atitude filosófica perante um mundo que carece de sentido para o homem. Montaigne tinha, cujo remédio, buscar no exercício o filosofar, de imediato podemos dizer que não vamos encontrarmos neste autor uma idéia sistemática da Educação, mas alusões e motivos que aparecem dispersos em sua obra. A meta montaigniana era construir um ideal de sabedoria que continha um saber autoritário.

No século XVI (a época em8que viveu Montaigne), Foi o período em que o homem desenvolve nova percepção sobre a relação entre o mundo e os outros homens, esta nova perspectiva é produzida em um contexto histórico conturbado, cujos acontecimentos influenciam a Filosofia de Montaigne. O primeiro desses acontecimentos refere-se às profundas mudanças ocorridas no plano econômico, social e político, esses fatores conjugados possibilitaram, na França, a ascensão social da burguesia, que passa a participar, cada vez mais, dos assuntos do Estado e da economia, antes relegados ao clero e a natureza. O segundo fato trata da destruição das formas de pensar próprias da idade média, em oposição a esses sentidos, o homem burguês constrói uma nova ciência da natureza, que tem como pressuposto, a valorização da capacidade do próprio homem em desvendar as leis a ela imanentes. O homem e sua capacidade de investigação racional passam, a partir de então, a ganhar a cena.

Outro acontecimento como marcante desse período foi a Reforma Protestante, iniciada por Lutero e encabeçada por Calvin na França, esse movimento representou a reação dos reformadores ao poder do papado católico e a aspectos da doutrina ensinada pela igreja. Ainda que Martinho Lutero não tivesse propondo uma nova versão de Deus, o que ele fez, foi apresentar outra maneira de administrar a fé e o sagrado, ao mesmo tempo em que defendia a corrupção e o enriquecimento da igreja por meio da vendy de indulgências. O diálogo entre homem8e Deus cede agora lugar àquele entre o homem e seu próprio mundo. É um tempo marcado pela melancolia e tristeza. O homem entrega-se uma reflexão sem fim, na tentativa de encontrar uma verdade que pudesse orientá-lo neste mundo.

Montaigne se situa no início da modernidade, sua Filosofia marca a ruptura com a forma de pensar medieval, o que a filosofia montaigniana fez foi por em dúvida essa possibilidade de o homem acessar a verdade nos termos postulados pelo dogmatismo medieval. A razão humana perde o papel de centralidade no acesso à verdade do mundo para se tornar sua interprete: Aquela que dele fala. Donde conclui Montaigne não ter o homem a chave para decifrar o mundo e as coisas. O expediente adotado por Montaigne é examinar os pontos fracos da razão evidenciando sua impotência, “será possível imaginar algo mais ridículo do que essa miserável criatura, que nem se quer é dona de si mesma, que esta exposta a todos os desastres e se proclama senhora do universo?” (MONTAIGNE, 1996, p. 376). Como tais perguntas, inicia a empreitada contra a arrogância e presunção do homem. Montaigne critica também o antropomorfismo das ciências da época, que julgam os céus, o mundo a partir das necessidades do próprio homem.

A prática de analisas continuamente foi o recurso por ele encontrado para devolver a si mesmo “o pleno exercício de seu próprio julgamento, sem nenhuma submissão a uma autoridade externa”.

A condição para a formação humanista requer a abertura para o mundo da natureza e da cultura por meio de viagens, visitas a outros povos, pela observação dos fenômenos da natureza, pela atenção aos aspectos da vida cotidiana, pelas conversas com os servos, pela prática dos esportes e das artes e, claro, pela observação da vida política. A formação e o cultivo do espírito do gentil homem não se poderiam dar alheios a tudo isso.

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